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segunda-feira, 21 de março de 2011

Então um dia a gente acorda, olha pro teto, pra janela, pra porta, e reconhece que o mundo se resume àquilo, simplesmente. Passa-se o dia inteiro, mesmo enquanto se trabalha, mesmo enquanto se tem aula, pensando involuntariamente na mesma coisa. Os livros e as poesias parecem tomar formas semelhantes e versarem sobre o mesmo tema. Em outros tempos teriam formas e temas totalmente opostos, mas nesse momento todos remetem à mesma coisa. Parece uma obsessão louca, algo que não se pode conter e que, no fim das contas, não se quer conter, porque dá sentido à vida. Entra-se numa loja e tudo que se pensa é se aquelas coisas agradariam ou não, se seriam bons ou maus presentes. Parece um rio poluído, no qual não se vê mais a cor original das pedras, nem da terra, cuja água é turva; mas essa poluição não matou os peixes, nem qualquer outra forma de vida ali presente, pelo contrário, fez tudo ganhar mais cor, mais vivacidade, mais potência, mais energia. O problema é que quando se acorda assim, se espera que esse rio deságüe em algum lugar, senão essas paredes parecem comprimir o quarto, o teto parece diminuir o espaço e sufocar, a porta nunca mais vai abrir. Os livros e as poesias parecem queimar as mãos, todos da mesma forma, remetendo à mesma coisa sempre, à mesma dor. E essa obsessão toma forma, como um inimigo que habita o espelho do corredor, pronto pra atacar quando se for passar. E se entrar numa loja, tudo estará fétido, e nada parecerá bom, porque nada serve, nada pode trazer de volta a cor, a vivacidade, a potência e a energia de outrora. 

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